CARTA ABERTA
Ao povo de Rondônia
Aos trabalhadores, intelectuais, democratas e honestos de todo o Brasil.
No mês de fevereiro de 2010, ao iniciar o ano letivo, os estudantes do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Rondônia – Campus de Rolim de Moura paralisaram suas atividades numa greve que durou 15 dias reivindicando condições básicas de funcionamento do Campus. Nos dias que seguiram a greve foram levantados alguns problemas, dentre eles o processo nº 23118.003293/2008-21, que trata da compra de um terreno em frente ao campus no valor de R$8.900.000,00 (Oito milhões e novecentos mil reais), sendo que muitos professores e estudantes questionaram o referido processo, destacando-se o superfaturamento do valor do imóvel, exigindo explicações da Universidade. Conforme Nota do Departamento de Educação do Campus de Rolim de Moura o valor “estaria acima do praticado pelo mercado no município”. Outra questão levantada foi a contradição existente entre o sucateamento da estrutura do campus (falta de água, laboratórios sem funcionamento, biblioteca fechada, energia elétrica, etc) e a viabilização de vultoso valor para destinar ao processo de compra junto ao Ministério da Educação.
A greve dos estudantes serviu para demarcar duas posições distintas: os que apoiavam a justa reivindicação e questionavam a democracia e a transparência administrativa existente na Universidade de um lado; e de outro, um grupo que defendia a forma autoritária com que o Reitor da Universidade destituiu o Diretor em exercício do campus e nomeou sem consulta à comunidade acadêmica outro professor com vinculação de parentesco ao dono do terreno a ser adquirido pela UNIR. Houve muita tensão nas discussões acerca da questão e, ao final da greve, iniciou-se uma campanha de ataques aos professores do Departamento de Educação e outros professores do campus, realizada por email anônimo com violenta agressão caluniosa e difamatória, direcionado principalmente à professora Marilsa Miranda de Souza, do Departamento de Educação, que teve um papel destacado de apoio à greve estudantil. Notas de Repúdio foram divulgadas pelo DCE, ADUNIR, CEBRASPO e Departamento de Educação do Campus de Rolim de Moura.
Mesmo com a manifestação de repúdio a essa prática fascista, a perseguição continuou. A presidente da ADUNIR – Seção Sindical do ANDES/SN, Profª Walterlina Brasil recebeu informação de que atentariam contra a vida da Profª Marilsa Miranda de Souza, e rapidamente comunicou aos familiares e à própria Marilsa sobre a informação, tanto por telefone no dia 07 de abril como pessoalmente no dia seguinte. E por qual razão atentariam contra a vida da professora Marilsa? Quem tem interesse em fazê-lo? Seria apenas por apoiar a greve estudantil juntamente com seus colegas de Departamento? Ou envolveria outros interesses mais lucrativos? Porque a professora Marilsa figura como a única pessoa a “incomodar” inúmeros interesses?
A professora Marilsa Miranda de Souza, enquanto profissional da Educação tem em seu currículo de vida uma história marcada pela luta intransigente por uma Educação voltada para o povo desde quando ainda era ativista do Movimento Estudantil. Marilsa se destacou enquanto dirigente sindical, mas acima de tudo, por estar lado a lado das organizações populares, em especial dos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra. De origem camponesa, buscou na análise científica acadêmica compreender as contradições existentes no campo e de que forma o campesinato tem reagido a ações de expropriações e violência como se constata cotidianamente em Rondônia.
Enquanto docente da Universidade Federal de Rondônia não se furtou a lutar contra a precarização e privatização do Ensino Público Superior e da mesma forma tem travado inúmeras lutas em defesa do que é justo e honesto. Não é preciso citar os inúmeros exemplos, basta recorrer aos seus pares e, sobretudo, a quem acompanha de longas datas sua trajetória de assumir de forma conseqüente e sem vacilações sua ideologia e princípios.
É preciso que se dê um basta a toda ação difamatória ou de qualquer ameaça contra a vida de uma lutadora do povo! Conclamamos a todas as organizações classistas, democratas, intelectuais honestos a defender a integridade moral e física da professora Marilsa Miranda de Souza e de todo e qualquer intelectual honesto e estudante em luta na Universidade Federal de Rondônia!
Abaixo o fascismo na Universidade Federal de Rondônia!
Por uma Universidade que sirva o povo!
Rio de Janeiro/RJ, 19 de abril de 2010.
CEBRASPO – CENTRO BRASILEIRO DE SOLIDARIEDADE AOS POVOS
Considerando o conteúdo dos fatos acima, os signatários vêm manifestar sua solidariedade à professora Marilsa Miranda de Souza da Universidade Federal de Rondônia.